ENTREVISTA: elenco de "Forbidden Fruits" fala sobre o filme

Texto: Rob Corsini | Fotografia: Kristina Shakht | Direção Criativa: Ione Gamble e Meredith Alloway | Styling: Gabriel Held | Maquiagem de Lola: Benjamin Puckley | Cabelo de Lola: Dana Boyer | Maquiagem de Lili: Kale Teter | Cabelo de Lili: Peter Butler | Maquiagem de Meredith: Shaena Baddour | Cabelo de Meredith: Lauren Berrones | Editor de Vídeo Colaborador: Marie Koury | Assistentes de Redação: Grace Bennett, Jade Alcantara | Assistentes de Fotografia: Julia Aracely, Maddy Mock | Assistente de Styling: Evan Dombkowski
Em Forbidden Fruits, a amizade é uma faca de dois gumes — algo que não poderia ser mais diferente das amizades na vida real da diretora Meredith Alloway e das estrelas Lili Reinhart e Lola Tung. Em uma conversa de mesa-redonda com a Polyester, elas falam sobre suas experiências trabalhando no comércio, como a competição e o capitalismo moldam as relações entre as mulheres e o que Forbidden Fruits as ensinou sobre a amizade feminina.
Abaixo, confira uma prévia da conversa:
Por que não começamos do início? O que atraiu vocês para o projeto?
Lili Reinhart: A sinopse de garotas que lideram um culto no equivalente a uma loja da Free People. Eu pensei: "Preciso aceitar essa reunião". Depois, tive uma reunião por Zoom com a Meredith e a Lily. Você me disse mais tarde que eu meio que assustei vocês?
Meredith Alloway: Com certeza. Eu acho que a Apple é a garota descolada do shopping — mas o shopping em questão é em Dallas. Então, eu realmente queria escalar alguém que eu acreditasse que seria, de fato, a garota descolada em Dallas. E Dallas é um lugar tão peculiar, tão estranho.
Lili: Eu amo que você me ache a garota descolada de Dallas. O que isso significa?
Meredith: Não sei descrever de outra forma além de que não é a garota descolada que estaria em uma Free People em Nova York. É só um lugar diferente. Você estava usando um cardigãzinho e estava super imersa nos temas de controle que a Apple tem. Quando saímos do Zoom, eu disse para a Lily: "Estou meio assustada com ela". E ela respondeu: "Eu também, perfeito!".
Lili: É que eu tinha uma visão muito específica para ela. Queria que ela tivesse unhas vermelhas, com duas delas curtas, como pistas de contexto sobre a sexualidade dela. Ela era muito estática e precisa. Ela comanda o ambiente quando entra nele. Mas eu ainda não ouvi a história de como vocês duas se conheceram.
Meredith: Foi pessoalmente. Você não estava disponível quando íamos filmar originalmente porque estava gravando a segunda temporada de The Summer I Turned Pretty (O Verão que Mudou Minha Vida), e aí veio a greve e o filme foi adiado.
Lola Tung: E aí eu te vi por acaso! Estávamos as duas em um lugar divertido que a gente gosta.
Meredith: Sim! Não podemos dizer onde é. Um pequeno restaurante.
Lola: Eu estava comendo lá, você passou e eu perguntei como estavam indo as coisas. Quer dizer, era uma greve, nada estava realmente acontecendo. Você me disse que o filme tinha sido adiado e acabamos marcando uma reunião onde meio que fechamos tudo depois da greve. No mesmo lugar!

Pensando na representação da amizade feminina — quais foram as coisas no roteiro que pareceram familiares para vocês? O que não ressoou?
Meredith: Quando li a peça da Lily, me conectei muito com o fato de trabalhar no comércio e com essa competitividade estranha que surge em relacionamentos construídos em um ambiente capitalista. Acho que existem muitas coisas que moldam a maneira como as mulheres se conectam que estão ligadas à competição e ao capitalismo.
Lili: Em que loja você trabalhou?
Meredith: Na Limited Too, garota!
Lili: Olha, deixa eu te contar, na Pier 1 Imports não rolava competição nenhuma. Mas na Limited Too faz todo o sentido.
Meredith: Mas acho que, na minha própria vida, algo que me fez sentir muito distante das personagens foi que eu não sinto isso nas minhas amizades femininas. Sinto que tenho grupos incríveis de mulheres de quem sou amiga. Não há competição e nós realmente apoiamos e celebramos umas às outras, em nossos sucessos, em nossos fracassos e em tudo o que há no meio.
Lola: Eu concordo nesse ponto. Minhas amizades com as mulheres na minha vida são muito saudáveis, graças a Deus, mas eu nunca trabalhei no comércio, então não conhecia esse lado. Mas, sob a perspectiva da Pumpkin, eu entendi o que é ser a mais jovem do grupo, chegar e estar cercada por essas mulheres que você imediatamente admira. Você quer pertencer, quer ser aceita e quer fazer uma piada que todo mundo ache graça.
Meredith: Impor-se e manter sua posição é algo muito forte em grupos de mulheres.
Lili: Nunca vou esquecer algo que a Mädchen Amick, que interpretou minha mãe em Riverdale, me disse. Ela falou: "Você vai trabalhar com muitas mulheres na sua carreira que têm a mesma idade que você; às vezes uma de vocês vai estar na frente, às vezes uma vai estar atrás, e você vai ter que ficar bem com isso". Mas é difícil, a nossa indústria literalmente nos diz que temos que competir e lutar pelo nosso espaço aqui, ou seremos substituídas.

via (Polyester)